Há uma semana um homem entrou num ambiente educacional e simplesmente abriu fogo contra estudantes de 10 a 14 anos. Doze crianças perderam a vida nessa tragédia e várias saíram feridas. Mas mesmo as que não foram baleadas, as que saíram ilesas, nem estas saíram realmente ilesas.
Um crime premeditado, calculado friamente e feito com tanta tranquilidade, deixou uma sequela em comum naquelas crianças que presenciaram um homem entrando em suas salas com uma arma e atirando para matar. O trauma. Uma bala que atingiu seu ombro de "raspão", você cura, se recupera. Mas e quanto àquela cena, de seus colegas e amigos morrendo, sangrando e você tendo que pensar em como salvar a sua vida, correr, se abaixar, o que fazer? Essa cena, creio que vai ser difícil sair da mente desses jovens. Jovens que estão no início de suas vidas e que não sabem de onde irão tirar coragem para voltar à escola, se é que eles vão mesmo voltar.
Seja por bullying, ou por qualquer outro motivo que tenha levado um homem a tirar a vida de crianças e jovens inocentes, nada explica. Ok, os psiquiatras forenses dizem que ele era esquizofrênico e abalado mentalmente. Mas para mim, nem isso explica. O problema vem de antes, muito antes, numa cadeia de raciocínio lógico.
Uma pessoa humilde, com sérios problemas mentais, mas que não tem dinheiro para um tratamento, é prontamente atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? E essa mesma pessoa tem difícil acesso à armas porque o controle disso no Brasil é forte? Para ambas perguntas, a mesma resposta: NÃO.
Um homem louco, que chega a gravar vídeos contando o que vai fazer, seus motivos e suas viagens, literalmente, não mataria sozinho, não cometeria esse crime sozinho. Ele teve seus ajudantes, indiretamente, mas teve. Aqueles, sabe? Que se dizem "do bem".